newsletter



Artistas

Madcab

Se Madcab em vez de ser uma palavra tiver de ser duas, ter uma definição ou tradução directa, ou ser a abreviatura de Minimally Assisted Direct Coronary Artery Bypass, que seja. Dispam-se os convencionalismos e as expressões demasiado musicais. Vistam-se as batas. Aqui a música empresta metáforas à ciência. A cirurgia faz-se em palco e os instrumentos usados soam mais a rock que a éter ou soro.

Luís Azevedo Silva (guitarra e voz), Luís Costa (bateria), Filipe Grácio (guitarra) e Nuno Silva (baixo) são os Madcab, banda nascida em Outubro de 2001 nos arredores de Lisboa. Depois de conhecer a sua formação definitiva em Janeiro de 2002 as intervenções que fizeram, sem anestesia e em equipa, oscilaram entre as dezenas de concertos que deram, os ensaios e três demos não editadas — Manifesto, 2002; Anywhere High, 2003 e Utopia Wreck, 2004.

Durante seis anos, na permanente irrigação do sangue — da artéria coronária direita ao ventrículo direito e da artéria coronária esquerda para o ventrículo esquerdo —, sem dormências, fizeram da rebeldia no rock uma atitude consciente. A produção deixou de ser caseira; os instrumentos deixaram de ser outra coisa qualquer, são eles próprios; e a música passou a soar à garagem apertada onde as influências se esgotam individualmente no processo de criar algo único, como um todo.

Keeping Wounds Open, álbum de estreia dos Madcab, foi lançado a Fevereiro de 2007 e divide-se em dez faixas de rock cardíaco e cirúrgico, onde a medicina se transforma finalmente em música e as feridas se deixam abertas. As guitarras, a bateria e o baixo rasgam, com cordas, baquetas e uma voz não-esterilizada, os corpos que passam pela marquesa, agora amplificada. O risco de vida continua a ser maior que o risco de morte. Sem termos de responsabilidade.

A tensão arterial sobe, a adrenalina contagia corpos virulentos e a obstrução das artérias faz, por fim, jus ao nome que aqui nos trouxe pelo diagnóstico perfeito: Madcab.



Discografia

Keeping Wounds Open
2007